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   DOUTRINA NA ESTRADA *
Autocarro itinerante Livraria Espírita Chico Xavier
Espírita há 40 anos, Adjair Fernandes de Faria dedica-se desde 1989, à divulgação da Doutrina através dos livros. Em 1994, mais precisamente em 12 de Março, resolveu estender o seu trabalho de forma itinerante, utilizando-se de um autocarro–livraria. No momento da entrevista que abaixo reproduzimos, em 17 de Agosto, na cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, alcançou a marca de 813 cidades visitadas, sendo três delas no Paraguai e no Uruguai. Adjair tem 67 anos de idade e é viúvo há sete anos. Tem cinco filhos, seis netas e dois netos. Trabalhou 25 anos como bancário, dez como agente imobiliário e há 15 anos que peregrina pelo Brasil com a Livraria Espírita Chico Xavier, divulgando a nossa abençoada Doutrina Espírita.

Folha Espírita – Como foi a sua “entrada” no Espiritismo?
Adjair Fernandes de Faria –
Como a maioria. Infelizmente e felizmente, pela dor.

FE – E o trabalho com a livraria?
Adjair –
Assim que tomei conhecimento sobre a importância desta Doutrina nas nossas vidas, consciência nunca mais parou de me cobrar. Hoje, após 40 anos de vida espírita, continuo com o mais profundo desejo de ver três livros, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, tesouros inigualáveis, em cada lar do nosso Brasil. E, graças a Deus, com um pouquinho de boa vontade, já consegui colocar nas mãos dos irmãos, que nos honraram com 3.640.000 visitas ao nosso autocarro, mais de 115 mil Evangelhos, sendo na sua maioria acompanhados de O Livro dos Espíritos e de O Livro dos Médiuns. Isto nos 17 Estados já percorridos na peregrinação, não contando com os milhares colocados na Livraria Espírita Chico Xavier, inaugurada em 25 de Dezembro de 1989, em Uberlândia, Minas Gerais. E tudo começou naquele memorável 12 de Março de 1994, também em Minas Gerais na cidade de Uberaba, quando iniciamos esta inenarrável e abençoada jornada.

FE – Imagino que tenha vivido boas experiencias com o autocarro-livraria ambulante…
Adjair –
Experiências mil!... Inumeráveis vezes fomos abordados por irmãos diversos, pedindo que escrevêssemos um livro. Até à cidade número 100, dizíamos que daria um livro de mil páginas. Hoje, com as 813 cidades já visitadas. Afirmamos que daria um livro de mais de 10 mil páginas, com variadíssimos assuntos, histórias e situações que prenderiam o leitor até à última delas. E o mais curioso é que os leitores profanos classificariam a maioria das narrações como conto de fadas ou fábulas.

 
 
 
FE – Conte-nos uma delas!
Adjair –
Vou contar uma das milhares vivenciadas. Estávamos na cidade assinalada como 715. Victor Graeff, no interior do Rio Grande do Sul, onde os seus habitantes orgulhosamente exibiam a sua praça como a mais bonita do estado. E nós endossamos esta afirmação, pois realmente é a mais bonita que já vimos nos 17 Estados que já visitamos. Pois bem, certo dia, por volta das 18 horas, entra no nosso autocarro uma jovem ofegante que logo após os cumprimentos, começa um inusitado relato:
- Moço!... Já não aguento mais, preciso de ajuda. O senhor acredita que faz 44 anos que o meu pai ia sentar-se no mesmo banco em que o meu avô se sentava e pedia a mesma cerveja que ele gostava quando vivo?... Alegando que amava muito o meu avô?... E o senhor acredita que faz quatro anos que o meu pai morreu e o meu irmão, que não bebia, outro dia também se foi sentar naquele banco e faz as mesmas coisas que eles faziam?... E acredita que ele quebrou todos os móveis da casa dele por várias vezes e não dorme?... A minha cunhada não aguentou e deixou-o… Agora tem de tomar 22 comprimidos por dias, o senhor acredita?
- Acredito, respondi.

FE – E qual foi a orientação?
Adjair –
Conversamos, explicamos em detalhe o que estava acontecendo e pedimos que ela o levasse ao centro espírita em Jacarezinho, uma cidade próxima, e estudasse ininterruptamente a tríade das obras básicas: O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns e que os colocasse em prática diariamente. Ela saiu esperançosa, prometendo que assim o faria. Não passou uma hora e ela retornou entusiasmada e nos apresentou um robusto rapaz, com 1,95 m de altura, que chegava ao tecto do autocarro, dizendo: “Este é o meu irmão, o senhor poderia contar-lhe tudo o que me disse?” repeti tal e qual como havia dito e reforcei para eles irem ao centro, o que prometeram antes de saírem felizes… Dois dias depois, ela liga-nos da casa da sua irmã em Jacarezinho para perguntar sobre o que fazer. Segundo relatou, no dia anterior, eles haviam ido ao centro, um bom senhor os havia atendido, colocando-os sentados num cómodo e do outro lado, começou a falar com alguém que parecia ser o seu avô. Depois com outro, que parecia ser seu pai. Naquele momento, conforme relatou, o seu irmão ficou mole e disseram-lhe que era normal. Pediram que o levasse para repousar, lhe desse uma sopa sem carne e o deixasse dormir.
“Foi o que fiz, só que ele está a dormir há mais de 20 horas, como se estivesse morto. O que é que eu faço?”, questionou-nos com certa aflição. Nós orientamos a deixá-lo dormir. Resultado: ele reatou com a esposa e os três filhos, fundaram um centro em Victor Graeff com a assessoria do senhor que os atendeu em Jacarezinho e não se cansam de nos ligar a agradecer.

 
FE – Quantas cidades já visitou?
Adjair –
Bem, hoje 17 de Agosto de 2009, contabilizamos Novo Hamburgo como sendo a número 813. Já fizemos três visitas internacionais: Salto Del Guairá, no Panaguai, Riviera e Chuy, no Uruguai. As viagens renderam-nos a expressiva visita de 3.640.000 irmãos, com mais de 30 milhões de mensagens gratuitas distribuídas.

 
 
FE – tem encontrado apoio das autoridades e da população por onde passa?
Adjair –
Apoio total. Principalmente dos gaúchos que nos recebem de braços abertos, facilitando-nos sempre na obtenção de alvarás. Quanto à população brasileira, é só analisar o número acima de visitas! É inenarrável o carinho que recebemos.

FE – O que é preciso, em termos de infra-estrutura local, para o autocarro aportar nas cidades?
Adjair –
Apenas um ponto de energia e escolher um bom local de passagem de transeuntes. Os que passam à porta do autocarro não resistem… entram!

FE – A livraria ambulante torna menor o preço ao consumidor?
Adjair -
Graças a Deus, não remarcamos os preços. Temos livros com o mesmo preço há dez anos. Obras básicas sempre com preços acessíveis e diversificados, de todas as editoras. Só de O Evangelho Segundo o Espiritismo temos mais de 15 modelos e tamanhos.

 
 
 
FE – Que mensagem deixa aos nossos leitores?
Adjair –
Deixo dois pedidos: que todos os espíritas estudiosos, releiam e procurem o espírito da letra, da mensagem mais importante da espiritualidade dirigida aos espíritas na “Missão dos Espíritas”, no capitulo XX, item 4 de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Atentem para a quantidade da minúscula palavra “ide” e reflictam detidamente no terceiro parágrafo, referente à expansão do bezerro de ouro.
O segundo pedido está relacionado a este parágrafo, à necessidade de colocar um basta à vertiginosa e vergonhosa ascensão do culto do bezerro de ouro, cada dia mais devorador da casa das viúvas e das consciências. Para alcançar o objectivo, pendo que é preciso prosseguir com a abençoada missão de provar, através da ciência, a existência do espírito (alma), que anima e vitaliza o corpo, que é a razão da vida. Vejo portanto, com emoção o trabalho dos médicos espíritas, fazendo votos que a Dr.ª Marlene Nobre e os seus colegas possam provar, cientificamente, a reencarnação. Se não for nesta encarnação, será na próxima. Que Deus e o nosso amado Mestre Jesus nos abençoem a todos.

Este autocarro com 20m de comprimento tem mais de 2000 titulos nas suas prateleiras
* por Ismael Gobbo
Extraído do jornal Folha Espírita número 420
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